Trabalho há anos como CMO de startups SaaS B2C com cobrança recorrente. Desenhei do outro lado os flows que te prendem num trial, os avisos de renovação que vão direto para o spam, e os descritores enigmáticos que aparecem no seu cartão — todas decisões intencionais do lado do provedor, não erros. Por isso sei exatamente por que é tão difícil saber quantas assinaturas você tem ativas: não é sua memória, é o sistema desenhado para isso ser difícil.
O usuário brasileiro médio com vida digital ativa tem entre 8 e 14 assinaturas ativas e quase ninguém consegue listá-las todas de cabeça. A informação está dispersa por design: cada cobrança vive num lugar diferente, os descritores são enigmáticos, e os bancos no Brasil — mesmo os mais modernos como Nubank, Inter ou C6 — não expõem uma seção clara de "minhas assinaturas recorrentes" como já oferecem alguns bancos americanos.
Há quatro maneiras de encontrar suas assinaturas. Conto da menos completa para a mais completa, com seus limites reais — e no final como o Otto resolve isso sem você precisar olhar o banco.
Por que é tão difícil saber
O problema não é sua memória, é que a informação está dispersa. Sua assinatura do Spotify cobra direto do spotify.com no seu cartão. A do Photoshop cobra do Adobe.com. A do Crunchyroll, dependendo de como você assinou, pode passar pela App Store (Apple), Play Store (Google), ou direto no cartão. ChatGPT Plus pode vir da OpenAI ou bundleado com seu iFood Diamond ou seu plano Vivo.
E os descritores das cobranças não ajudam. Estes são exemplos típicos no ecossistema brasileiro:
GOOGLE *YOUTUBE— uma assinatura YouTube Premium qualquerAPPLE.COM/BILL— algum app da App Store, sem dizer qualPAYPAL *NETFLIX— Netflix paga via PayPalSTRIPE *NOTION— a assinatura do Notion processada via StripeIFD*IFOOD— alguma assinatura iFood (Pro? Diamond? Movies?)MERPAGO*MERCADOLIVRE— algo do Mercado Livre, não dá pra saber o que
Nenhuma fatura de cartão te diz qual serviço é realmente. Decodificar isso é trabalho manual.
E os painéis oficiais (Apple Subscriptions, Google Play Subscriptions, "Minhas assinaturas" do Google) só mostram a parte deles. Não tem painel central. Essa é a brecha que o Otto preencheu, mas antes de chegar lá, os outros métodos.

Método #1: Revisar seu cartão de crédito manualmente
O mais óbvio, também o mais doloroso. Você abre o app do banco e olha os últimos 3-6 meses de movimentação. Cada cobrança recorrente fica como uma linha a mais.
Por banco brasileiro, os caminhos mais úteis são:
- Nubank: app → Atalhos → Gerenciar → "Assinaturas" (rolado em 2024 — pega cerca de 60% das recorrentes)
- Itaú: app → Cartões → fatura → filtrar por "Estabelecimentos" e buscar nome do serviço
- Banco do Brasil: app → Cartões → Faturas anteriores (sem filtro nativo de assinaturas, é manual)
- Inter: app → Cartões → Fatura aberta → busca por valor ou nome
- C6 Bank: app → Cartão → Atalho de "Recorrentes" (similar ao Nubank, ainda incompleto)
- Bradesco: app → Cartões → Lançamentos → manual
O problema com esse método é triplo. Primeiro, os descritores enigmáticos mencionados acima — STRIPE *X não te diz qual serviço é. Segundo, não pega assinaturas pagas com PIX recorrente ou débito automático bancário (algumas teles brasileiras, Spotify pago via boleto). Terceiro, exige que você faça referência cruzada na cabeça: "essa cobrança de R$ 19,90 a cada 30 dias, o que é?". Para alguém com 10 assinaturas ativas, são facilmente 40 minutos de trabalho e você ainda vai perder 2-3.
Serve como filtro geral, não como resposta definitiva.
Método #2: Apple Subscriptions (se você usa iPhone)
Se você tem iPhone, a Apple sim te mostra uma lista — mas só dos apps que você pagou pela App Store. A documentação oficial está no centro de ajuda da Apple, e do iPhone é:
Ajustes → seu nome (em cima) → Assinaturas
Aparecem as ativas e as canceladas, com a data de renovação e o valor. É organizado e completo — para o que captura.
O problema é que se você assinou Netflix entrando em netflix.com com seu cartão (em vez de pelo app da App Store), essa assinatura não aparece aqui. Mesma coisa com ChatGPT Plus se você assinou em chat.openai.com. Mesmo com Spotify se você entrou direto em spotify.com.
Apple Subscriptions captura tipicamente 30-50% das suas assinaturas reais se você é um usuário mainstream de iPhone. Para os serviços que cobram "direto do navegador", não serve.
Método #3: Google Play Subscriptions (Android e Web)
Equivalente ao anterior pelo lado do Google. A documentação oficial está em Google Play Help. Dois caminhos levam ao mesmo lugar:
Play Store (no celular) → sua foto de perfil → Pagamentos e assinaturas → Assinaturas
Ou de qualquer navegador, entre direto em:
play.google.com/store/account/subscriptions
Mostra todas as assinaturas ativas pagas através do Google Play (apps Android + serviços Google como YouTube Premium, Google One, Google Drive storage).
Mesma limitação que Apple: se você assinou fora da Play Store (direto no site do provedor), o Google não fica sabendo. Uma assinatura do Netflix paga com cartão não aparece aqui. Uma do Spotify Premium também não se você tirou do spotify.com.
Apple + Google combinados tipicamente cobrem 60-70% das suas assinaturas. Os 30-40% restantes são as que estão escapando.
Método #4: Buscar no seu Gmail
Aqui começa o lance interessante. Todo provedor que cobra você de forma recorrente te manda um email — um recibo, uma confirmação de renovação, um aviso de vencimento. Se você filtrar bem sua caixa de entrada, pode encontrar 95-100% das suas assinaturas.
Os operadores de busca do Gmail que funcionam melhor para isso:
from:no-reply— pega a maioria dos emails transacionaisfrom:billing@— específico de cobrançassubject:"recibo"ousubject:"comprovante"— confirmações de pagamentosubject:"renovação" OR subject:"renewal"— avisos pré-cobrançafrom:noreply@spotify.com(ou o domínio de qualquer serviço que você suspeita)subject:"Seu pagamento"ousubject:"Pagamento aprovado"— confirmações genéricas
O problema desse método é que é manual. Você vai abrir entre 50 e 200 emails para revisar quais são realmente assinaturas recorrentes (e quais são compras únicas, marketing, ou serviços que você cancelou faz tempo). Depois tem que anotar cada uma, seu valor, sua frequência. Para alguém com 10 assinaturas ativas distribuídas em seis meses de mails, são facilmente duas horas de trabalho cuidadoso.
Mas o método é abrangente. Se chega um email pela assinatura, você vai encontrá-la — sem depender da Apple, Google, ou de qual cartão você usou.
E é aí que entra o método #5.
O método com o Otto
O Otto automatiza exatamente o que você acabou de fazer no método #4, mas em vez de duas horas, leva trinta segundos.
Você conecta seu Gmail via OAuth oficial do Google (o mesmo protocolo que Slack, Calendly, ou qualquer app que pede para ler sua agenda usa). O modelo do Otto escaneia só os emails transacionais — recibos, confirmações, avisos de renovação. Filtra por padrões de remetente (no-reply@, billing@, invoices@) e por conteúdo (formato de fatura, valor, recorrência). Seus emails pessoais nunca são processados.
Em trinta segundos você vai ter um dashboard com:
- Cada assinatura detectada, com o serviço identificado (não
STRIPE *X, mas "Notion Pro") - O valor em BRL (com conversão se cobrar em USD)
- A data do próximo débito
- Detecção automática de aumentos sem aviso, cobranças duplicadas e trials que viraram cobrança sem seu consentimento explícito
A gente não pede a senha do seu banco, nem seu cartão, nem acesso à sua conta. Essa é uma decisão deliberada do design — se um app de "gerenciador de assinaturas" pede sua senha de internet banking, sai correndo. Eles não precisam disso, e dar a senha adiciona uma categoria gigante de risco que nenhum benefício compensa. (Se quiser entender mais sobre como o Otto foi construído e por que tomamos essa decisão, vê na página Sobre.)
O scan é grátis e fica feito mesmo se você não pegar o plano Pro. A parte paga — os planos — é só se você quiser que o Otto ajude a cancelar, negociar tarifas ou pedir reembolsos pelas que você decidir não querer mais.
O que fazer com as que você encontrou
Uma vez que você tem a lista completa, vem a parte que a maioria pula: decidir o que fazer com cada uma. A regra rápida é o filtro triplo:
Eu uso? Se a última vez que você abriu esse app foi mais de 60 dias atrás e você não sente falta, é candidata a cancelamento. Não espera sentir "culpa de cancelar algo que talvez volte a usar" — se voltar, você assina de novo.
Estou pagando o preço justo? Alguns serviços têm planos anuais 30-40% mais baratos que o mensual. Outros têm versões família ou duo. Spotify Family com 6 pessoas sai menos por cabeça que individual.

Existe equivalente grátis ou mais barato que cobre minha necessidade? Para ferramentas de IA, o ecossistema muda tão rápido que o que você paga R$ 100 por mês esse ano pode ser grátis ano que vem.
O que você decidir cancelar dá pra fazer direto pelo app do provedor, ou se você quiser economizar o vai-e-vem, o Otto monta o email de cancelamento no formato exato que cada provedor aceita (Netflix pede o ID da conta, Spotify Family pergunta quem é o admin, ChatGPT aceita qualquer formato). Você vê o preview, aprova, e é enviado pelo seu próprio Gmail.
Perguntas frequentes
Posso ver minhas assinaturas direto do banco?
No Brasil, parcialmente. Nubank, Inter e C6 lançaram views de assinaturas em 2024 — mas catam talvez 60% das recorrentes. Serviços que cobram por processadoras (Stripe, PayPal) muitas vezes não são categorizados direito. O caminho via email continua sendo o mais completo.
O Otto pode ler meus emails pessoais?
Não, em nenhum caso. O scan está limitado a emails transacionais de serviços. Os filtros do Otto são por padrão de remetente (no-reply@, billing@, invoices@, notifications@) e por conteúdo (formato de fatura, recorrência, valor). Um email pessoal ou de trabalho não encaixa nesses padrões e nem é processado. E se você quiser revisar exatamente o que foi acessado, está visível no dashboard.
Funciona se eu tenho vários emails com diferentes assinaturas?
Sim. Você pode conectar várias contas Gmail ao Otto e o scan roda em todas. É bem comum — um email pessoal para apps de entretenimento, um do trabalho para ferramentas de produtividade. Otto cruza os dois e te mostra um único dashboard consolidado.
Funciona com Outlook ou só Gmail?
Hoje a gente suporta Gmail totalmente e Outlook está em beta (Outlook.com, Live, Hotmail e contas corporativas Microsoft 365 com permissão de admin). Se a maioria das suas assinaturas chega numa conta de trabalho no Outlook, dá para conectar; se chegam num Hotmail antigo, também.
Quanto custa usar o Otto?
O scan do Gmail e o dashboard de todas as suas assinaturas é grátis para sempre. Sem cartão para começar. O plano Pro (USD 9,99/mês) é só se você quiser que o Otto ajude a cancelar, negociar ou pedir reembolsos — é opcional.
Se você chegou até aqui e ainda não sabe o que está pagando, dá os trinta segundos: escaneie seus emails com Otto e olha a lista. O que aparece costuma surpreender.

